domingo, 18 de janeiro de 2009

A história por trás das manchas roxas

Muito tempo ocioso na frente de um computador ligado à internet pode render algumas singelas, porém divertidas, descobertas. Como esse texto escrito por um homem a respeito de uma neura que eu nunca imaginei que os homens pudessem ter (ou será apenas ele, em específico?): a origem das manchas roxas de uma garota.

“O que me faz perder mesmo o sono são as manchas roxas que aparecem na perna da menina sem nenhuma explicação.
Por que as manchas roxas? Como chagas, surgem misteriosas pelo seu corpo, marcando meu território, maculando sua tez dulçorosa, de Dulcinéia arrebatada. E não só pelo corpo da minha, ela, mulher própria: as manchas estão em todas as mulheres do planeta. Senhoras apaixonadas, vestindo anáguas; adolescentes de estranhos humores, irritadas; crianças impúberes, de galochas e histórias (da carochinha); leitoras boazudas, cabrochas bronzeadas, de euforia que não cabe dentro dos peitos – a todas acometem as mesmas nódoas. Roxas e nas coxas, principalmente, mas também nos: braços, bunda, panturrilha e outras partes. E volto a perguntar, sem mais enrolação: por que as manchas roxas? De onde vêm?
Quando a menina chega em casa do trabalho, emancipadíssima, ou acorda aos muxoxos, fazendo malcriação, ou volta de viagem cheia de sacolas, ou sai do mar molhada de sal, nunca sabe o porquê das manchas. E, se souber, não diz. Perguntar é perda de tempo. E ficamos assim, os homens, asnos empolados, mais uma vez perdidos na escuridão da nossa ignorância infinita sobre tudo que nos é estranho, ainda que familiar, e sobre o que nos é mais alheio, ainda que tão arraigado dentro de nós: a mulher, esse singular objeto.
Seriam as manchas roxas marcas de amantes descuidados e secretos? Escapadelas pelas tardes vazias, amassos nas esquinas, escadas dos prédios e por trás de cada árvore no caminho de casa? Seriam as manchas lembranças de outros toques? Agouros dos próximos? Seriam elas memórias do seu corpo? Fantasmas te bolinando durante a noite? Eu te encoxando durante o dia?
Ou seriam trombadas e joelhaços involuntários em: cadeiras, mesas, sofás, armários, escrivaninhas, bancos, automóveis, árvores, cachorros, portas, geladeiras, grades, janelas, pedras, crianças, pias, caixas, postes e tudo o mais que puder estar a sua frente? Seriam as manchas provas roxas e materiais da sua peleja diária com o mundo e tudo que o compõe? Evidências da fragilidade do manto delicado que cobre seu corpo, em contraste com sua enorme força para o resto (incluindo gripes, cicatrizes, partos e filas de supermercado)?
Para nenhuma dessas perguntas tenho a resposta. Mas sei que vou morrer tentando descobrir.”

[ João Paulo Cuenca ]


Eu sempre tenho um estoque dessas “tão misteriosas manchas roxas”, e isso já foi objeto de desconfiança de alguém que, com certeza, tinha a teoria n° 1 em mente.
Só que (não me peçam pra escolher entre o felizmente e o infelizmente), no meu caso se aplica a teoria n° 2: trombadas e joelhaços involuntários.
Não me lembro desde quando comecei a assumir uma postura destrambelhada frente os objetos que me cercam (na verdade, eu até me lembro de costumar ser alguém que tem uma certa desenvoltura), mas já faz um tempo que o contato da minha pele com o que compõe o mundo têm resultado nessas benditas manchas roxas.
Então da próxima vez que se deparar com uma dessas marcas em mim, poupe sua imaginação devassa, porque aquela mancha na minha perna não foi porque eu estava me agarrando com um cara gato, de cabelos compridos e 3 brincos em cada orelha com ar de estrela do rock dos anos 80 num banheiro apertado durante uma festa (embora eu sempre tenha preferência pelos “caras exóticos”, e algumas amigas podem confirmar isso), mas sim porque eu calculei errado a distância entre a minha trajetória e a quina da mesa.

Mas aquele roxo no braço talvez não seja tão inocente assim...
.

2 comentários:

  1. Espanto, ilusão, erro e ignorância... são estes os efeitos negativos da dúvida, e ainda sim, somos atraídos por ela, ainda mais quando provêm "desse singular objeto", a mulher!

    Diz ai, poetisei... hehehe!

    Beijão Flavinha e cuidado com essas batidas!

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  2. Não venho aqui expressar minha opinião acerca do tema abordado mas sim a minha indignação devido ao termo usado pelo autor do texto,João cuenca. É lamentável que em pleno século XXI ainda haja referências à mulher do tipo "singular objeto". Até quando vai permanecer essa pequenez na mente dos homens? Felizmente, contudo, não podemos generalizar. Fica aqui o meu protesto.

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